Alô ! Alô! Aqui é do futuro… alguém me escuta?

XR3 – Estou falando do ano de 2040,me chamo XR3, alguém me escuta?

Fulana – Pois não estou na escuta. Fale.

XR3 – Estou pesquisando o modo de vida de vocês do passado, gostaria de fazer umas perguntas.

Fulana – Claro, mas antes me fala tudo do futuro, e depois eu respondo.

XR3 – Bom. Não estou autorizado a falar sobre o futuro, pois isto pode interferir no fluxo da história.

Fulana – Ah seu “sopinha de letras deixa de bobagem e me fala tudo.

XR3 – O que você quer saber.

Fulana – conte-me tudo. Não esconda nada.

XR3 – Bom… vivemos uma época muita boa. Depois que vocês quase acabaram com o planeta em 2012, muita coisa melhorou. Primeiro conseguimos uma limpeza étnica no planeta. Calma, nada de genocídio, apenas erradicamos a pobreza, a violência e a corrupção. E isto limpou bastante a raça humana, pois acabamos com esse “tipo de gente”. Depois disso com muito esforço global conseguimos limpar o planeta. Aqueles bilhões de dólares que eram gastos para armar as chamadas super potências foi destinado a pesquisas e desenvolvimento de novas fontes limpas de energia. Aquele líquido preto que vocês usavam e chamavam de petróleo foi banido de todas as nações. Os bilhões de dólares dessa indústria suja foram utilizados para erradicar a pobreza na África e o restante distribuído entre as demais faixas pobres de outras nações como a antiga Índia. Ah. Acabamos com as fronteiras. As pessoas atualmente não são discriminadas ou rotuladas por ser deste ou daquele país, atualmente são chamados apenas de HUMANOS.

Fulana – Nossa, então vamos ser muito melhores no futuro. E os carros, as casas, as roupas, as baladas?

XR3 – Bom, um de cada vez. Ficamos melhores sim, mas não foi fácil, tivemos de ser muito austeros com as primeiras gerações de HUMANOS. Leis rígidas e cumpridas à risca nos moldaram para uma nova sociedade.

Fulana – Hummm fala do resto.

XR3 – Sim. Os carros foram abolidos da nossa sociedade, hoje utilizamos VLPs – Veículos Locomotores Pessoais. São cápsulas moldadas conforme nossa necessidade de deslocamento, que se alteram conforme as distaâncias que vamos percorrer. São veículos modulares. Eles são movidos a hidrogênio como fonte energética, não são poluentes e são construídos com fibras biodegradáveis, são mais seguros e geo-guiados, assim não existem acidentes de trânsito, pois o limite de velocidade nunca pode ser ultrapassado e as rotas são monitoradas pelo STU – Sistema de Tráfego Universal. As casas. Bom, o que você chama de casa era algo que vocês erguiam, umas maiores do que as outras, cheias de coisas que vocês não usavam, e que tinha um lugar chamado garagem, que deveria guardar o carro e que vocês enchiam de bagulhos. Bom, pegamos tudo de bom e útil que havia em uma “casa” e priorizamos isto: as Pessoas. Nós humanos vivemos em comunidades chamadas casulos, dividida em três radiais. O núcleo onde trabalhamos e rezamos. a Segunda Radial, onde estudamos e nos divertimos. E a Terceira Radial onde nós moramos. Isto nós vimos em manuscritos antigos de uma civilização antiga chamada Grécia. Adaptamos ao nosso tempo e a chamamos de Casulo. As roupas. Bom. Descobrimos que as roupas como vocês chamavam aqueles produtos de mal gosto que eram desenhados por pessoas chamadas estilistas, que ditavam isso como moda e que todos morriam de trabalhar para terem dinheiro para pagar por elas e criar os impérios destes estilistas. Ah e estas peças pelo que li pareciam na sua maioria ficar fora de uso rápido e não eram confortáveis. Nesse campo também evoluímos. Atualmente temos dois modelos de roupas. Na verdade chamamos elas de VESTES. As vestes são feitas de fibras naturais, são muito confortáveis, duram décadas, o que ajuda a preservar nosso EKO. Ah já ia me esquecendo de falar. Mudamos o nome do planeta, agora o chamamos de EKO, pelo fato de ser a nossa CASA. Bom as VESTES como estava falando, podem ter dois modelos, o masculino, composto de camisa e calça e o feminino, composto de saia e blusa. São termo eficientes, bio degradáveis, duráveis e ultra resistentes. Quanto a última pergunta eu não entendi o que você chama de BALADA.

Fulana – as festas, a azaração, a paquera, o ritual de acasalamento?

XR3 – Ah! entendi. As comemorações são regradas. Durante o período Translacional temos quatro comemorações. Comemoramos o dia de EKO, onde todos nós saudamos a nossa casa e a forma como ela acolhe a todos nós. Comemoramos o dia da FERTILIDADE, por sabermos que ela é importante para a nossa continuidade como espécie. Comemoramos o dia da VIDA, para que as gerações mais jovens saibam a importância de preserva-la e por fim comemoramos o dia da ÁGUA, para enaltecê-la como fonte de toda a VIDA.

Fulana – Nossa! deve ser chato isso. e não tem bebida, cigarro?

XR3 – Temos bebida sim. Bebemos água, que é saudável e nos limpa de maneira contínua. Cigarro, não existe isso aqui. Pelo que estou acessando do banco de dados Cigarro era uma droga bem imbecil que as pessoas do passado usavam para se matar lentamente. Não, isso nós não temos no futuro.

Fulana – Ah tá! Mas me fala mais, fala mais… No futuro se ganha muito dinheiro?

XR3 – rsrsrsrsrs me desculpa mas isso é uma coisa engraçada. Nós HUMANOS não usamos dinheiro. Utilizamos algo melhor. Temos tudo que precisamos e utilizamos de maneira racional e proporcional as nossas necessidades. Usamos plaquetas de bioplástico que chamamos de PAN – Plaquetas de Acesso às Necessidades. Sempre que precisamos verdadeiramente de algo, utilizamos a nossa PAN e pegamos aquilo que precisamos. Aquilo que não necessitamos nós não pegamos. Porém se pegarmos algo que não necessitamos o CNH – Conselho de Necessidades Humanas nos pune com a proibição de usarmos nosso PAN por um período translacional. Isso nunca ocorreu, pois se ficamos sem o PAN não conseguimos sobreviver.

Fulana – Nossa! Que babado… e os computadores? Super modernos eu imagino.

XR3 – Desculpa mas nós não temos esses aparelhos antigos.

Fulana – E como vocês vivem sem Facebook, Twitter, Games, MSN?

XR3 – É engraçado você não entender. Eu digo o mesmo de vocês, mas, vou tentar explicar a você. Desde que nos tornamos HUMANOS, buscamos compreender melhor a forma de nos comunicar e de desenvolver o conhecimento da HUMANIDADE. Conseguimos desenvolver através do uso de bioplásticos e de partículas de carbono circuitos biointeligentes. Assim nós recebemos o implante de micro circuitos bioeletrônicos e construímos uma imensa network psiconeural. Usamos o poder da bioeletrônica para nos comunicarmos e desenvolvermos o acumulo de conhecimento de maneira telepática. É O que denominamos de HUMANET, uma rede psiconeural que liga todos nós HUMANOS.

Fulana – Nossa! é um giga FACEBOOK. Abalou geral!

XR3 – Mas agora me fala você. O que tem de bom aí no passado?

Fulana – Meu filho, seu Sopinha de letras, me desculpa mas não vai da prá responder não pro sinhô, pois vou arrumar minhas coisas, pegar um mototáxi e sair voando pra esse tal de futuro. Fui…

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O Crescimento nos pegou de surpresa! será?…

Pronto. Finalmente o “país do futuro” tá repleto de coisas boas no presente. Estamos crescendo, deixamos de ser devedores e passamos a ser credores. Temos mais celulares que a população residente. Deixamos de importar petróleo e já iniciamos de forma tímida nossas exportações. Temos uma indústria aeronáutica forte e competitiva. Estamos ampliando nosso mercado interno com a inclusão das classes C, D e E na faixa de consumo, principalmente de produtos alimentícios, de higiene pessoal e bens de consumo duráveis. A indústria naval está em forte ritmo de recuperação, e ressurge no cenário internacional. Nossas multinacionais verde-amarelas se multiplicam. Nossos sistema financeiro é reconhecido como um dos mais sólidos e modernos do mundo. Fomos o primeiro país a sair da crise que abalou a economia global. Temos a maior área agriculturável do planeta, além de mananciais de água potável e reservas biológicas. Nossa matriz energética está plantada em um modelo limpo do ponto de vista ambiental. Enfim, o que nos falta?

P L A N E J A M E N T O – é fundamentalmente isto que nos falta. Todos estes avanços nos pegou de “calças curtas” e o país está crescendo ao mesmo tempo em que nossa infraestrutura não está preparada, muito menos dimensionada para comportar todo este crescimento, o que aponta nossa defasagem para o atendimento destas novas demandas. Aeroportos, rodovias, portos, capacitação profissional, telecomunicações, a ausência da banda larga, e de uma priorização da educação como uma política pública de crescimento sustentável.

Falta-nos também políticas tributárias e trabalhistas atualizadas, que permitam maior competitividade do país no cenário global. Em termos globais, por sinal, ainda temos números muito tímidos no quesito comércio. Nossas exportações sequer alcançam 2 dígitos do comércio mundial. Não podemos permitir que tais conquistas fiquem atoladas no buraco causado pela falta de planejamento de médio e longo prazos. Em postagem anterior abordei a questão da Copa do Mundo de 2014. Sabemos as dtas, os prazos, as necessidades, as deficiências e muito pouco foi feito. Tanto é que a FIFA tem aumentado o tom de discurso contra os atrasos de obras estruturadoras visando o Mundial de Futebol.

Muitas são as indicações de que precisamos incorporar na nossa cultura, quer seja no âmbito público, como no privado, a prática do planejamento. Precisamos imediatamente de gestores públicos, principalmente, que enxerguem mais longe, e possam projetar como estaremos daqui a 20, 30 anos, e de condições no ambiente político para que as reformas necessárias a uma verdadeira DESBUROCRATIZAÇÃO do país seja implementada. Lembro-me bem na minha infância quando ouvia nos telejornais o termo BUROCRACIA, e na minha limitação de conhecimentos à época, eu somente associava a algo ligado a BURROS. E hoje, com os conhecimentos ampliados, vejo que a minha mente de criança tinha seu fundo de sabedoria, afinal a nossa BUROCRACIA nos emburrece. Quer seja no sentido de nos deixar “emburrados” tanto quanto nos retira inteligência.

O Brasil do presente, já é em grande parte aquele “BRASIL DO FUTURO” que minha geração tanto escutou falar.  O NOVO BRASIL DO FUTURO, cabe a todos nós desenharmos hoje, para que o Brasil dos nossos filhos possa ser mais planejado e mais preparado para o FUTURO deles.